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Crítica de Belfast

  • mindinmaia
  • 26 de fev. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de jun. de 2022



Ambientado durante o início do embate entre as duas Irlandas, “The Troubles”, Kenneth Branagh nos presenteia com uma autobiografia leve, onde tudo poderia ser nebuloso, mas a jocosidade trazida pelo seu amor ao cinema subverte conflitos e os torna digeríveis. Assim é Belfast.

Logo em seus primeiros minutos, somos envolvidos por um take que mais lembra uma propaganda de turismo atemporal e, em segundos, toda a magia convidativa dá lugar às cenas das violentas batalhas étnico-políticas ocorridas no final dos anos ‘60 e que perduraria por três décadas. A sequência em questão dita o tom por quase todos os 98 minutos. Entenda “tom” pelo aspecto em si, e pela própria paleta de cores, em tons de cinza, estilo adotado por muitos cineastas, como Alfonso Cuarón (Roma), Guy Maddin (My Winnipeg) e Pawel Pawlikowski (Cold War). Sabemos que a paleta sugere algo mais dramático, mas Branagh subverte com maestria cada estilo adotado em Belfast.



Assim como Sin City (2005), sim, esta subversão vem esbanjando cores, quando o jovem Buddy (Jude Hill) assiste alguma peça teatral ou filme com sua família, e sua forma de ver o mundo vai mudando, numa transição entre realidade e ficção, de acordo com a bagagem adquirida. De certo ponto, esse detalhe é importantíssimo quando se analisa a carreira de Kenneth Branagh como ator e, principalmente, diretor. A cada nova obra, percebe-se elementos de trabalhos anteriores, notadamente perceptível em Henrique V e Hamlet.

E é analisando filmes como estes que nos deparamos com um detalhe brilhante de seu novo longa: enquanto Buddy/Branagh muda sua visão de mundo a cada obra artística que incorpora, estas mostradas coloridas, os tumultos, seja ao vivo ou noticiados na televisão, continuam em preto e branco, evidenciando que, embora a criança veja e sinta o mundo de acordo com o que absorve, é apenas sua romantização de uma realidade que, para outros, continua em tons de cinza. E isto remete claramente a todas as suas obras, sobretudo as que são versões modernas de clássicos, como Assassinato no Expresso do Oriente (2017), Thor (2011) e Cinderela (2015).



O iniciante Jude Hill interpreta muito bem uma criança que tem sua realidade sendo modificada de forma tão abrupta por uma sociedade em conflito étnico, lembrando muito Roman Griffin Davis em Jojo Rabbit (2019). Jamie Dornan (50 Tons de Cinza) está atuante embora o trocadilho do preto e branco continue acompanhando o ator, mas, Caitriona Balfe (da série Outlander) está, ou melhor, continua espetacularmente excelente, carregando uma atuação marcante.



Assim como em Roma, Belfast, além de tantos outros sentimentos, procura expressar de maneira clara, quase terapêutica, a origem de todos os saberes, conflitos e amores que culminaram em tudo que Branagh nos entregou até hoje. Satisfatória ou não, é a sua visão e, se este filme chegou a ser produzido, é porque sim, sua carreira foi digna.


★★★★☆ 4/5


 
 
 

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